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E A QUALIDADE? Operador declara que já encontrou baratas nas paredes da caixa de apoio do SMAE de Araputanga
No dia 29 de julho/2015, a Promotoria de Justiça “fez mais um passo” do Inquérito Civil Público 013/2013 iniciado em 16 de agosto daquele ano, ao ouvir as declarações do servidor público, Sr. Raimundo Francisco Araújo Mendes.
Concursado desde 2007, Raimundo Mendes atua na função de operador de Eta – estação de tratamento de água. Ele declarou que desde que assumiu as funções percebeu que “O trem era precário” e, que o sistema de distribuição de água era incapaz de abastecer a contento, toda população da cidade.
PRECARIEDADE
Segundo a declaração do servidor, obtida pela Reportagem, é possível concluir que falta o básico para que o setor funcione minimamente bem. Se desde 2007 o “trem era precário”, e a água já não seria suficiente para atender a todos, como afirmou Raimundo, imagine oito anos depois, quando os gestores já autorizaram a criação de novos bairros, onde hoje, as famílias clamam pelo abastecimento.
AS FALHAS
O operador de ETA denunciou um “rosário” de falhas gritantes, que oficialmente nunca vêm a público, entre as denúncias mais graves estão:
1 – A ANVISA já teria solicitado troca dos quatro filtros de água, porém, apenas dois foram trocados em 2011, os outros, jamais foram substituídos;
2 – Estrutura física da ETA não atende às normas de segurança, pois, os funcionários ficam expostos a choque, acidentes e queda da passarela;
3 – Um funcionário zelador, não capacitado, foi colocado como operador da ETA, caiu da passarela e faleceu, no ano de 2012;
4 - Atualmente mais um zelador está a exercer a função de operador na ETA;
5 – Dos cinco operadores da ETA, apenas três trabalham efetivamente, outros dois estão no setor de tributos da prefeitura;
6 – O tambor de cloro está todo aberto e exposto a qualquer tipo de contaminação;
7 – Com o tambor aberto, animais voadores como pombos e gatos, que existem na ETA, podem defecar dentro do tambor de água já “tratada” pronta a ser distribuída, onde pode cair folhagem e outras impurezas;
8 – Já foram encontradas baratas andando nas paredes da caixa de apoio; a caixa de apoio contém água já tratada e pronta para distribuição;
9 – Peças para conserto são compradas (sem licitação?), diretamente pelo gerente do SMAE
10 – Há ocasiões em que falta cloro para o tratamento da água, na falta do produto químico, a água é distribuída à população sem estar “toda” tratada;
11 – A falta de cloro no depósito da ETA seria frequente na atual gestão, por isso é que muitas vezes a água é distribuída para população, sem cloro, declarou o servidor público municipal Raimundo Mendes.
ÁGUA BARRENTA?
Em 08 de fevereiro/ 2014 consumidores reclamaram da água barrenta que estava sendo distribuída na rede do SMAE. Na ocasião, uma pessoa coletou em um recipiente transparente água então distribuída, fotografou e encaminhou a imagem para a Redação da Folha de Araputanga. A declaração de uma consumidora, que pediu anonimato, era bem pertinente: a água não servia nem para dar de beber aos cachorros, imagina cozinhar, tomar banho e ainda ingerir o líquido barrento. A reportagem pode ser lida clicando aqui.
Desde o início das investigações em agosto/13, até hoje (01/08), já se passaram 716 dias. Aguarda-se para os próximos dias a conclusão do Inquérito no MPE de Araputanga, com todos os apontamentos que obrigarão à municipalidade tomar providências imediatas para, se a água, de fato não tiver qualidade, que a água vendida pelo SMAE passe a ser ofertada com a qualidade recomendada pelos órgãos de fiscalização.
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